Abobrinhas e Legumes em Geral


A história de Antonio

Outubro 29th, 2007 | Por Gustavo |Categorias: Contos do Gustavo, Destaques, Legumes em Geral |

Pessoal esse é o 1º conto que escrevo, portando dêem um desconto OK?
Há tempos venho querendo escrever algo assim, mas só hoje consegui pensar em algo razoável. Por favor comentem e me digam o que acharam. Um abraço!

A história de Antonio

Antonio sempre foi um cara tímido, discreto, tinha poucas mas boas amizades. No colégio não era nem da turma dos “Populares” e nem da turma dos “Nerds”, ele conseguia transitar por entre as faixas sem maiores problemas. Nunca se preocupou muito com o futuro, não quis ser jogador de futebol, nem médico, nem astronauta. Ele seguia sua vida sem planejar, apenas vivia.
No 1º colegial Antonio conheceu Carla, uma aluna nova, vinha de outra escola, não foi amor a primeira vista. Embora a garota fosse linda de parar o trânsito, eles se conheceram como colegas de classe.

Antonio e Carla começaram a passar muito tempo juntos, na escola, na volta pra casa (moravam a 2 quadras de distância um do outro). Nos trabalhos em grupo sempre estavam juntos e sua roda de amigos se tornara a mesma. O primeiro beijo foi por iniciativa dele (ele pensa), e logo estavam namorando. Era um casal feliz, mais do que namorados eram amigos, se divertiam muito juntos. Todos os amigos diziam: “Dá gosto de ver esses dois”.

Mas no meio do ano seguinte, após as férias de junho do 2º colegial, uma outra pessoa foi transferida para a classe de Antonio e Carla. Gisele. Linda, olhos claros, jeito de menina. Toda a escola estava fascinada por ela, todos os garotos babavam e a paparicavam, as garotas encontravam celulite em suas pernas e pontas duplas em seus cabelos. Tudo absolutamente normal em uma escola de ensino médio.

Mas Antonio nem olhava pra Gisele, Antonio só tinha olhos para Carla. Ele não se importava que Carla havia pintado os cabelos de uma cor que ele não gostava, não se importava que ela tinha ganhado alguns kilos desde que começaram a namorar. Para Antonio, Gisele era apenas uma garota linda, gostosa, perfumada, com jeitinho de boneca que havia de repente caído de pára-quedas em sua classe e que por algum motivo que ele desconhecia não desgrudava os olhos dele. Ele não queria e nem nunca quis nada com ela. Tanto que no dia em que ela lhe mandou um bilhete escondido pedindo para encontrar com ele no shopping à tarde, ele não titubeou. Foi ao shopping no horário marcado para lhe dizer umas boas verdades!

“Oras, quem aquela… aquela… aquela menina pensa que é para querer desestruturar meu namoro!” Pensava ele a caminho da praça de alimentação.
Chegou na praça de alimentação e de longe a viu, ela estava sentada em um banco ao lado das mesas, com uma saia jeans um pouco acima dos joelhos, um camisete sem mangas e cabelos amarrados. Ela olhou pra ele e lhe sorriu.
Quando se aproximou dela, ela olhou para ele ainda sorrindo e disse:

- Eu sabia que você viria!

Antonio, ficou puto com aquela arrogância, aquele olhar penetrante aquela boca suculenta…
Respirou fundo e quando tentou desengasgar uma palavra ela o beijou.
E que beijo foi aquele! Ele nunca foi pegador, mas Carla não tinha sido sua única namorada, ele conhecia um beijo e um puta beijo, mas aquilo excedia os limites de seu conhecimento prévio. Como nos desenhos animados ele praticamente ouviu sinos badalarem, mas provavelmente foi apenas o ziper de sua calça jeans.

Aquilo não podia estar acontecendo, ele tinha certeza de que amava Carla, mas por que aquele beijo era tão bom? Por que aquela maldita era tão deliciosa?
Durante os meses que se seguiram Antonio e Gisele continuaram se encontrando as escondidas, e isso estava acabando com ele. Antonio achava errado o que estava fazendo com Carla, ele não queria magoá-la, mas a situação estava insustentável e ele reuniu forças para chegar em sua namorada e lhe dizer que queria terminar o namoro.

- É por causa da Gisele não é? - Disse Carla com a convicção de quem já sabia de tudo.

Antonio sem saber o que dizer apenas abaixou sua cabeça em um sinal afirmativo e de derrota ao mesmo tempo.

- Eu já desconfiava, apenas estava esperando que você fosse homem para vir falar comigo. Siga sua vida Toni, espero que seja muito feliz. - Virou as costas e foi embora.
Aquelas palavras de Carla doeram mais nele do que qualquer surra que ele poderia levar.
O 3º colegial foi… digamos… constrangedor. Mas passou, todos se formaram, Antonio e Gisele estudavam juntos para o vestibular. Entraram na faculdade juntos, ele passara em Administração, ela em Fisioterapia.

De Carla, Antonio, ou Toni como ela o chamava, ele não ouviu falar mais.

Os dias agora se tornaram mais longos, o curso de Gisele era integral, ele estudava no periodo noturno, só se viam na hora de voltar para casa e aos finais de semana. Em pouco tempo nem isso mais, os finais de semana de Gisele sempre estavam cheios de compromissos, estudos em grupo na casa da Fulana, churrasco da turma na casa de Ciclana… O resto da história é simples de se imaginar.
Antonio traiu Gisele. Num fim de semana em que ela fora estudar na casa de uma colega, ele saiu com alguns amigos e amigas da faculdade e a insatisfação com seu namoro resultou na traição.
Porém, notícias correm rápido e logo ela soube do fato e terminou com Toni.

“Fazer o que?” - Pensou ele. “É a vida! Troquei um amor de verdade por uma bunda gostosa… É a vida”.

Os anos se passaram, Antonio formou-se e logo consegiu um bom estágio. Em alguns anos já galgava cargos executivos na empresa. Ao contrário das expectativas de seus próximos, tornou-se um excelente profissional.

Num dia desses de verão ele ia almoçar no shopping, aquele mesmo, onde ele fez sua maior burrada.
De longe ele avista ela, há quantos anos ele não a via, e ela continuava linda.
Carla! Vinha de encontro a ele.
“O que eu faço?” - Pensou.
Embaraçado decidiu fazer de conta que não a tinha visto mas quando passou por ela, ela o puxou pelo braço e disse:

- Ué? Não lembra mais de mim não?

Ele já não sabia de que cor estava, deve ter passado por todos os tons de cor-de-rosa à púrura. Gaguejou algo como:

- Estava tão distraído, acabei por não te ver! E como vai você mulher?

Carla abaixa a cabeça e sorri com o canto da boca.

- Mulher… Só você me chama assim sabia?

Eles se entreolham por alguns segundos, mas é o suficiente. Ele a lê, como sempre conseguiu ler, ele desata o nó dos ombros, relaxa a respiração.

- Há tantos anos que não nos vemos, posso lhe pagar um café para batermos um papo? - Disse ele já mais confiante.

- Na verdade eu vim aqui para almoçar.

- Ótimo, eu também! Então lhe pago o almoço, aceita?

Ela simplesmente abana com a cabeça afirmativamente e eles seguem para a praça de alimentação.
Conversam por um bom tempo, relembram suas aventuras, seus momentos divertidos, dão gargalhadas em pleno shopping sem constrangimento nenhum. Em algum momento relembram de Gisele, mas hoje, mais maduros e gozando da amizade que parece nunca ter morrido passam por esse assunto com naturalidade.

- Senti sua falta. - Disse Antônio.

- Eu também…

- Nossa! Essa nossa conversa está melhor do que qualquer outra coisa que eu pudesse fazer hoje, mas tenho que voltar ao trabalho.

- É eu também já estou atrasada.

Toni paga a conta e na hora de se despedirem ela pergunta:

- Nós vamos nos ver novamente?

Ele abaixa os olhos por um momento e sem responder nada a puxa pela cintura e a beija. Quando acabam o beijo, demorado, molhado e com gosto de saudades. Ela com as mãos em seu peito, olha em seus olhos, mordendo o canto do lábio inferior e diz:

- Você é um fiho da puta!

Eles se abraçam gargalhando, como duas crianças, como as crianças que costumavam ser, se divertindo como costumavam se divertir. Trocam telefones e endereços. Antonio volta ao trabalho e Carla também.



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  1. 14 Comentários para “A história de Antonio”

  2. Rodolpho "Primo"
    Out 30, 2007 | Responder

    E aí velho “Gustiver”, belê? Hoje seu primo aqui decidiu comentar. Mas como não tenho experiência na arte vou me controlar nas palavras para não cometer nenhuma gafe. Apenas relato que achei o conto “JÓIA”… E tenho certeza que não serei o único a apreciar, em especial, a última fala da Carla… Poeta!
    HAHAHAHAHA
    Um grande abraço e vamu pra PANORAMA AEEEEEEEEEEEE.

  3. Gustavo
    Out 30, 2007 | Responder

    Fala meu garoto!!! Até que enfim você resolveu abrir a boca por aqui! Espero que isso se repita mais vezes hein!
    A Carla é uma mulher inteligente, burro mesmo é o Antonio! Só que o cara é sortudo bixo! :-P
    hehehehe
    Abração primo!

  4. Alexandre Daniel
    Out 30, 2007 | Responder

    Esse conto retrata uma fase de relacionamento,inseguranças,sentimentos que muitos já passaram e as voltas que o mundo dá…Como se fosse dado a oportunidade de voltar e terminar algo inacabado, encontrar com alguém que vc teve um relacionamento há tempos e agora se vê nesta oportunidade, com mais conciência e maturidade.Esse não é só um conto mais sim um retrato da ” Vida como ela é”. Fico feliz de poder relembrar e trazer esses sentimentos nostalgicos á tona de uma fase em que, os erros e acertos, me deram a oportunidade de reflexão sobre os sentimentos de outras pessoas me tranformando em uma pessoa com mais sensibilidade em relação ao próximo.Parabéns Gú, e continue a trilhar esse caminho, esse seu primeiro conto é muito bom…

  5. carol
    Out 30, 2007 | Responder

    parabéns gu. Muito bom mesmo. Como disse o Alexandre, a nostalgia nos prende ao conto e admito um certo sentimento de déjà vu. Não esqueça de postar os próximos!!

  6. Luma
    Out 30, 2007 | Responder

    Um conto que parece real, tal qual singularidade dos detalhes. Beijus

  7. Enio Luiz Vedovello
    Out 30, 2007 | Responder

    1º conto mesmo? Se é de verdade, você enganou muito bem, parece o conto de alguém que já tem muita experiência com eles.
    Continue, brinde-nos com muitos outros.
    E concordo, a última frase da Carla foi perfeita.

  8. Gustavo
    Out 30, 2007 | Responder

    Olá Enio! 1º conto mesmo cara… eu sempre escrevi poemas (desde os 14 anos), mas nunca havia escrito um conto.
    Geralmente no dia seguinte de eu escrever um poema eu já não gosto muito mais dele, mas esse conto to achando que ficou legalzinho mesmo. Que bom que o pessoal está gostando, vou me esforçar para escrever mais contos e se possível melhorar a qualidade dos mesmos, achei que esse ficou legal, mas ainda acredito que poderia ser melhor.

    Um abraço!

  9. Luigi
    Out 30, 2007 | Responder

    Bah véio, show de bola…
    lendo isso passa tudo pela cabeça…situações que todos vivem, lembranças de um amor perdido e desperta aquela esperança de que um dia possa surgir aquela segunda chance…
    hehehe
    matou a pau!!

  10. Fabio Alves
    Out 30, 2007 | Responder

    Cara a historia eh bonita, mas como um critico ferrenho que sou em relação a vossa senhoria acho que tem horas que o tempo verbal da historia se perde, naum sou muito bom de portugues naum, meu negocio eh me matar com DADOS mesmo, mas confesso que fique confuso em relacao as concordancias verbais, sei que eh besteira isso, mas se vc realmente que entrar pra Academia Brasileira de Letras como me confessou acho que tem que dar um olhada nisso

    []´s

  11. Gustavo
    Out 30, 2007 | Responder

    Eu na ABL? Tá certo…

  12. Fabio Alves
    Out 30, 2007 | Responder

    opa cara, cade a confiança, estamos aqui pra apoiar e ajudar.

  13. Lucas BiM
    Out 30, 2007 | Responder

    Muitooo bom o conto, parabens!!!!

  14. Felipe
    Out 30, 2007 | Responder

    Bem bacana.
    Vc escreveu de um jeito que prende a atenção. Não é aquela coisa Blá blá blá…

  15. Ademir Teixeira Bastos
    Nov 4, 2007 | Responder

    Por ser o primeiro, eu digo quê está muinto bom…..

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