Archive for category Contos do Gustavo

O Skatista

Caio era um rapaz um pouco diferente dos demais. Suas roupas largas, tatuagens e piercings. Sua atitude diante da vida o faziam diferente.

Mas como todo rapaz ele tinha um fraco: Estela.

Linda, sensual, com suas roupas de marca e amigas de shopping.

Mundos completamente diferentes. Um maluco que passava as tardes com amigos esquisitos ensaiando uma barulheira que diziam ser música e uma patricinha que vivia a tríade clube, shopping, celular com sua turminha.

- Isso não vai dar certo nunca! – Diziam seus amigos de banda.
- Quem não arrisca não petisca! – Respondia.

Certo dia quando ele voltava pra casa do bico que estava fazendo na lanchonete, descendo a rua do shopping em seu skate, de longe ele a avistou.
Era inconfundível, aqueles longos cabelos dourados que o vento soprava, o corpo sinuoso que o jeans apertado evidênciava e aquela boca de lábios grossos e sedutores.
Sentiu seu coração chutar seu peito e seu estômago congelar, o som do vento em seus ouvidos cessou por um instante e ele decidiu.

- Oi! Tudo bem? – Disse em tom amistoso.

Ela o olhou de cima abaixo e respondeu com um certo desdém:

- Olá! Tudo bem!
- Não lembra de mim? Caio.
- Estou tentando…

Era óbvio que ela se lembrava dele, estudaram por um tempo no mesmo colégio e por várias vezes ela o viu trabalhando na lanchonete.
Até o achava bonito, mas ela nunca se envolveria com um tipo daqueles. Olhou-o novamente, viu os cabelos desarrumados, camisa de banda de rock, calças que caberiam ao menos dois dele, os tênis ralados e… um skate?

- Desculpe, mas não me lembro mesmo…
- Ah.. Não tem problema! – Disse meio desapontado – Estudamos no mesmo colégio…
- Ah! Desculpe mas minhas amigas chegaram preciso ir! – Interrompeu Estela.
- Tudo bem!

Enquanto Estela entrava no carro ele ouve uma amiga perguntar:

- É seu amigo Estelinha? – Num tom de estranheza.
- Não, não! Ele só queria uma informação…

Ele viu o carro acelerar e virar a esquina. Aumentou o volume do MP3 player e ao som de “Lithium” do Nirvana ele seguiu seu caminho para casa pensando no quanto foi tolo.
Seus amigos, como era de se esperar, o sacanearam de toda forma possível. Mas ele seguiu em frente, compôs músicas, ensaiou muito.
Participou de várias bandas e trabalhou com muitos artistas famosos, até que conseguiu uma gravadora.
Foi um longo percurso, cheio de muito trabalho e dedicação, mas que enfim era coroado. Seu primeiro single em poucas semanas já figurava top lists de diversas rádios. Seu sonho estava se realizando.

Num domingo resolveu fazer um passeio de moto. Perdido em seus pensamentos, num calor infernal, Caio resolveu parar numa lanchonete para beber uma cerveja e quem sabe rascunhar uma canção.

Sentou-se próximo à calçada, onde podia ficar namorando sua moto. A garçonete se aproximou da mesa e perguntou qual seria o pedido. Qual foi a surpresa de Caio quando viu que quem o atendia era ninguém menos que Estela.

- Oi! Tudo bem? – Disse ele.
- Olá! Tudo bem!
- Não lembra de mim?
- Estou tentando…

Ela olhou bem, viu os cabelos desarrumados, camisa de banda de rock, calças que caberiam ao menos dois dele, os tênis ralados e… uma moto importada.

- Seu rosto não me é estranho, mas ainda não me recordo.
- Não tem problema!

Então Caio começou a rir, e Estela um tanto confusa perguntou:

- Do que está rindo?
- Essa situação é engraçada! A inversão de papéis…
- Como assim? Do que você está falando?
- Estou me lembrando de quantas foram as vezes em que eu anotava seus pedidos.

Nesse momento Estela se lembrou dele, o skatista! Ela tinha mesmo ouvido falar que sua banda fazia sucesso. Seu rosto, agora vermelho, entregava a vergonha que ela sentia no momento.
Caio fez seu pedido e ficou por algum tempo na lanchonete, não rascunhou canção nenhuma, pois aquela situação lhe tirava a concentração.
Logo pediu a conta e antes de sair sacou um CD de sua mochila e entregou para Estela.

- É um presente!
- Nossa, obrigada! Olha, sinto muito pela forma que te tratei no passado…
- Não se preocupe! – Interrompeu Caio.
- OK! – Ela respondeu com um sorriso.

Antes de sair com a moto ele ainda disse:

- A quarta faixa foi a primeira música que fiz. Escrevi pensando em você. – Acelerou e sumiu com a moto.

Estela sorridente olha então no verso do encarte e procura ansiosa pela quarta faixa. Pena!
O nome da música: “Ela não me quis, foda-se Estela!”.

Conto inspirado na música skter boy de Avril Lavigne

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A história de Antonio

Pessoal esse é o 1º conto que escrevo, portando dêem um desconto OK?
Há tempos venho querendo escrever algo assim, mas só hoje consegui pensar em algo razoável. Por favor comentem e me digam o que acharam. Um abraço!

A história de Antonio

Antonio sempre foi um cara tímido, discreto, tinha poucas mas boas amizades. No colégio não era nem da turma dos “Populares” e nem da turma dos “Nerds”, ele conseguia transitar por entre as faixas sem maiores problemas. Nunca se preocupou muito com o futuro, não quis ser jogador de futebol, nem médico, nem astronauta. Ele seguia sua vida sem planejar, apenas vivia.
No 1º colegial Antonio conheceu Carla, uma aluna nova, vinha de outra escola, não foi amor a primeira vista. Embora a garota fosse linda de parar o trânsito, eles se conheceram como colegas de classe.

Antonio e Carla começaram a passar muito tempo juntos, na escola, na volta pra casa (moravam a 2 quadras de distância um do outro). Nos trabalhos em grupo sempre estavam juntos e sua roda de amigos se tornara a mesma. O primeiro beijo foi por iniciativa dele (ele pensa), e logo estavam namorando. Era um casal feliz, mais do que namorados eram amigos, se divertiam muito juntos. Todos os amigos diziam: “Dá gosto de ver esses dois”.

Mas no meio do ano seguinte, após as férias de junho do 2º colegial, uma outra pessoa foi transferida para a classe de Antonio e Carla. Gisele. Linda, olhos claros, jeito de menina. Toda a escola estava fascinada por ela, todos os garotos babavam e a paparicavam, as garotas encontravam celulite em suas pernas e pontas duplas em seus cabelos. Tudo absolutamente normal em uma escola de ensino médio.

Mas Antonio nem olhava pra Gisele, Antonio só tinha olhos para Carla. Ele não se importava que Carla havia pintado os cabelos de uma cor que ele não gostava, não se importava que ela tinha ganhado alguns kilos desde que começaram a namorar. Para Antonio, Gisele era apenas uma garota linda, gostosa, perfumada, com jeitinho de boneca que havia de repente caído de pára-quedas em sua classe e que por algum motivo que ele desconhecia não desgrudava os olhos dele. Ele não queria e nem nunca quis nada com ela. Tanto que no dia em que ela lhe mandou um bilhete escondido pedindo para encontrar com ele no shopping à tarde, ele não titubeou. Foi ao shopping no horário marcado para lhe dizer umas boas verdades! Leia o resto desse post »

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